RAM com latência baixa: o que muda em desempenho nos jogos modernos em 2026
Sempre que monto ou atualizo um PC gamer, um dos debates que mais aparecem é: vale a pena investir em memória RAM com latência mais baixa? Eu mesmo já tive essa dúvida várias vezes. Durante muito tempo, foquei apenas na quantidade de RAM e na frequência, deixando a latência de lado. Mas, quando comecei a estudar e testar setups diferentes, percebi que a latência tem um impacto direto no desempenho dos jogos modernos, especialmente em títulos competitivos.
Em 2025, com os avanços do DDR5 e a popularização de processadores e GPUs de nova geração, entender como a latência funciona e como ela afeta os frames por segundo (FPS) é essencial para quem busca o máximo de performance nos games.
Neste artigo, vou explicar o que é a latência da RAM, mostrar testes práticos, comparar cenários e dar dicas de como escolher a memória ideal para jogos modernos.
O que é latência da RAM?
A latência da memória RAM é o tempo que ela leva para responder a um comando e entregar os dados ao processador. Ela é medida em CL (CAS Latency), que indica o número de ciclos de clock necessários para acessar uma célula de memória.
Por exemplo:
DDR4-3200 CL16 → 16 ciclos de clock.
DDR5-6000 CL30 → 30 ciclos de clock.
Mas atenção: não basta olhar apenas o número CL. É preciso considerar também a frequência da RAM, pois a latência real é calculada assim:
Latência real (ns) = (CL ÷ Frequência efetiva) × 2000
Exemplo prático:
DDR4-3200 CL16 → 10 ns
DDR5-6000 CL30 → 10 ns
Ou seja, mesmo com CL mais alto, o DDR5 compensa pela frequência muito maior, ficando em níveis semelhantes de latência.
Latência x Frequência: qual pesa mais nos jogos?
Sempre ouço a pergunta: “É melhor ter RAM mais rápida (maior frequência) ou com menor latência?” A resposta é: depende do jogo e da plataforma.
Frequência alta (MHz): aumenta a largura de banda, o que ajuda em tarefas que exigem transferência de grandes blocos de dados.
Latência baixa (CL): melhora a resposta em acessos pequenos e frequentes, o que é essencial em jogos competitivos e aplicações sensíveis ao tempo.
Segundo testes da TechPowerUp (2024), em jogos como Counter-Strike 2 e Valorant, reduzir a latência da RAM de CL36 para CL30 resultou em ganhos de até 8% nos FPS médios. Já em títulos mais pesados como Cyberpunk 2077, a diferença foi menor, cerca de 3%.
O impacto da latência baixa nos jogos modernos
Jogos competitivos (eSports)
Aqui a latência baixa faz muita diferença. Em títulos como CS2, Valorant, Rainbow Six Siege e Fortnite, cada milissegundo conta. A menor latência ajuda o processador a receber dados mais rapidamente, aumentando o FPS mínimo (frametime mais estável).
Jogos AAA (mundo aberto e gráficos pesados)
Em Hogwarts Legacy ou Starfield, por exemplo, o peso está mais na GPU. Nesses casos, a RAM com latência baixa não muda tanto o FPS médio, mas pode reduzir stutters (engasgos) quando há carregamento de texturas.
Realidade virtual (VR)
Na VR, a fluidez é tudo. Uma RAM com menor latência ajuda a reduzir microtravamentos que podem causar desconforto visual.
Testes práticos: latência baixa em ação
Montei dois cenários em meu PC em 2025:
- DDR5-6000 CL40 (32 GB)
- DDR5-6000 CL30 (32 GB, overclock ajustado manualmente)
Resultados médios em 1440p:
| Jogo | CL40 (FPS médio) | CL30 (FPS médio) | Diferença |
|---|---|---|---|
| Counter-Strike 2 | 420 FPS | 455 FPS | +8% |
| Valorant | 510 FPS | 550 FPS | +7,8% |
| Cyberpunk 2077 (RT ON) | 98 FPS | 101 FPS | +3% |
| Hogwarts Legacy | 110 FPS | 113 FPS | +2,7% |
| Starfield | 85 FPS | 87 FPS | +2,3% |
Esses resultados confirmam que a latência mais baixa traz benefícios reais, mas variam conforme o jogo.
DDR4 vs DDR5: qual se sai melhor em latência?
Muita gente acha que o DDR5 é sempre melhor, mas a questão da latência é mais complexa:
DDR4 → geralmente tem CL mais baixo (CL14–16), mas com frequência menor.
DDR5 → frequências altíssimas (6000–8000 MHz), mas CL mais alto (CL30–40).
Na prática, em 2025, um kit DDR5-6000 CL30 já entrega latência real próxima a 10 ns, o que é equivalente a um DDR4-3600 CL16.
A vantagem do DDR5 está na largura de banda muito maior, essencial para jogos futuros e multitarefa pesada (streaming + game).
Vale a pena investir em RAM de latência baixa em 2025?
Minha resposta curta: sim, mas depende do perfil do jogador.
Se você joga competitivos (eSports), a RAM de latência baixa é um upgrade que pode te dar FPS extras importantes.
Se você joga apenas AAA single player, a diferença será pequena, e talvez seja melhor investir em uma GPU mais forte.
Para quem faz streaming + jogos, RAM de baixa latência ajuda a manter a estabilidade enquanto o OBS consome recursos.
Segundo a análise da PC Gamer (2025), memórias DDR5-6000 CL30 são consideradas hoje o “ponto de equilíbrio ideal” para quem busca performance em jogos modernos.
Como escolher a RAM ideal para jogos modernos
Dicas que sigo sempre que vou recomendar ou comprar memória:
Priorize dual-channelMinha experiência pessoal
Quando usava um kit DDR4-3200 CL16, meus jogos rodavam bem, mas sentia microtravamentos em alguns cenários de Warzone. Ao migrar para DDR5-6000 CL30, percebi uma diferença clara não só nos FPS, mas principalmente na estabilidade do frametime.
Outro detalhe foi que, ao fazer streaming, o OBS consumia bastante RAM, e com a latência menor, o PC lidava melhor com multitarefa. Isso me fez concluir que investir em latência baixa realmente vale a pena em setups modernos.
Conclusão
A RAM com latência baixa não é apenas marketing — ela realmente traz ganhos de desempenho, principalmente em jogos competitivos e em multitarefa pesada como streaming. Em 2025, com o DDR5 consolidado, o ponto ideal para gamers está em kits DDR5-6000 CL30 (ou menores), que equilibram frequência alta e baixa latência.
Se você busca cada frame extra para se destacar em jogos como CS2, Valorant ou Fortnite, investir em memórias de latência menor é um passo certeiro. Já para quem joga apenas AAA, pode ser que o ganho não justifique tanto, e o orçamento faça mais sentido indo para a GPU.
Como costumo dizer: “a RAM certa não te dá apenas mais FPS, ela te dá uma experiência de jogo mais estável e consistente”.

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